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A pandemia e suas repercussões

na saúde mental e na vida cotidiana

Yara Lúcia Sachetim Donadel
Yara Lúcia Sachetim Donadel

A pandemia e suas repercussões

na saúde mental e na vida cotidiana

Estamos vivendo, nos dias atuais, uma realidade que talvez nunca tenha sido imaginada por qualquer um de nós. Recebemos, diariamente, inúmeras informações pelos meios de comunicação e de pessoas de nosso convívio que provocam medo e insegurança. É comum o sentimento de descontentamento provocado por este cenário.

A partir de recomendações e do estabelecimento de protocolos, pelas autoridades de saúde, como o aumento dos cuidados de higiene e do isolamento social, para evitar o contágio, uma série de reflexões acerca da vida e dos relacionamentos passaram a ser realizadas.

Houve a necessidade de reestruturação das atividades cotidianas, do estabelecimento de prioridades e de ressignificação da vida.

A noção de liberdade passou a ser questionada e determinada não pelo desejo, mas pela necessidade de evitar a disseminação da doença. A ilusão de que tínhamos algum controle sobre nossas vidas, foi colocada em xeque, mostrando a fragilidade humana.

Foi salientada a importância da consciência coletiva, em detrimento de interesses e comportamentos individuais, a partir do entendimento de que somos seres interligados e interdependentes, o que favoreceu a coesão social. É possível notar, importantes atitudes de empatia, acolhimento e solidariedade.

Em meio à adversidade, profissionais, precisaram criar estratégias para continuar o trabalho e garantir o seu sustento.

A tecnologia que já apresentava certa importância no mundo acadêmico, profissional e social, passou a ser fundamental para a continuidade destas atividades.

Foi necessário repensar a forma prioritária- presencial- de ensino, sendo exigida a adaptação de professores, famílias e alunos, que passaram a fazer uso do ensino remoto, como forma de dar continuidade ao ensino e à aprendizagem.

Alguns recursos tecnológicos, têm sido utilizados, por familiares e amigos que estão distantes, como forma de minimizar o sentimento de solidão e desamparo e garantir a aproximação, o diálogo e a sustentação do afeto.

Embora, uma série de recursos tecnológicos, estejam sendo utilizados para possibilitar a comunicação entre as pessoas, é inegável a importância, em qualquer faixa etária, do contato físico, da interação e da convivência com o outro.

Houve importante impacto nas relações familiares, já que pessoas que tinham pouca convivência, em razão das inúmeras exigências pessoais e profissionais, passaram a ficar mais tempo juntas, em um momento de instabilidade emocional e econômica. Importante desafio de organizar e conciliar as atividades domésticas, profissionais e de auxílio ao aprendizado dos filhos. Algumas famílias descobriram novas formas de se relacionar, de maneira saudável, enquanto outras, que já apresentam importantes dificuldades, tiveram as mesmas acentuadas, tendo havido o aumento do abuso de substâncias e situações de violência.

O sentimento de impotência passou a estar muito presente, diante de um cenário, no qual pouco se sabe a respeito do que está acontecendo e do que ainda está por vir. Não é possível determinar por quanto tempo esta situação perdurará, o que provoca intensa angústia.

O contexto de instabilidade e imprevisibilidade têm repercutido de maneira importante na saúde mental das pessoas. Enquanto, algumas pessoas tem apresentado resiliência, por meio de adaptação e enfrentamento satisfatórios, outras têm apresentado dificuldades, as quais tem sido expressas como sensação de sobrecarga, dificuldade em lidar com as obrigações, desânimo, irritabilidade, dificuldade para dormir, falta de apetite ou vontade de comer em excesso. Em situações novas e difíceis, as pessoas podem apresentar tais respostas, sendo estes sinais de que o organismo está tentando adaptar-se à nova realidade, no entanto, é necessário ficar atento e buscar ajuda profissional quando há significativo prejuízo na rotina.

Os momentos de crise, favorecem, a possibilidade de novas oportunidades e aprendizados, os quais proporcionam novos saberes e formas de relacionamento.

Muitas pessoas, resgataram atividades que realizavam no passado e que há muito estavam esquecidas, buscaram e permitiram-se aprender coisas novas, adquiriram novos hábitos, passaram a ter a experiência de conviver mais consigo mesmas, reinventaram e recriaram suas vidas com alternativas possíveis.

Para minimizar os impactos da pandemia e enfrentá-la de maneira saudável, é importante buscar informações em fontes confiáveis e evitar o excesso de informações, estabelecer uma rotina e definir estratégias criativas, diversificadas e possíveis que contemplem atividades profissionais, o contato com familiares e amigos, a prática de atividade física, cultural e artística. Além, de manter a alimentação e o sono adequados.

Caso esteja com dificuldade em encontrar meios de lidar de forma mais efetiva com esta nova realidade, procure ajuda profissional. O acompanhamento pode ocorrer de maneira presencial, de acordo com os protocolos dos órgãos governamentais ou na modalidade on-line que seguem o mesmo rigor e princípios éticos dos atendimentos presenciais.

Entre em contato comigo pelo (43) 99979-8890.


Yara Lúcia Sachetim Donadel
Yara Lúcia Sachetim Donadel Mestre em Psicologia Clínica, especialista em psicologia hospitalar com experiência em docência e no trabalho clínico em saúde mental.