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A mulher na contemporaneidade

Yara Lúcia Sachetim Donadel
Yara Lúcia Sachetim Donadel

A mulher na contemporaneidade

O momento atual é caracterizado por inúmeras transformações de valores e pela instabilidade nos vínculos e nas instituições. A diversificação da vida social, a pluralidade das referências culturais e o esvaziamento das tradições levaram os indivíduos a ter que se descobrir como alguém singular e original, responsável por suas escolhas e pela construção de sua trajetória. Estas transformações socioculturais têm ocasionado mudanças na subjetividade feminina. O movimento de contestação de padrões sociais e culturais, ocorrido na década de 60, trouxe novas reflexões acerca do papel da mulher como mãe, esposa e dona de casa.

Gradativamente, emergiu a mulher trabalhadora, com uma carreira profissional. Diante de tais mudanças, houve a necessidade de conciliar as tarefas de casa, a maternidade e as demandas da profissão. A valorização do trabalho e da carreira profissional marcaram fortemente a identidade feminina porque, por meio, dela foi possível alcançar independência financeira, autonomia pessoal e liberdade. Embora a carreira profissional seja importante para a realização pessoal, a mulher contemporânea também valoriza as relações familiares e sociais.

A mulher contemporânea mostra-se como sujeito ativo na construção de sua história, valoriza a individualidade e a liberdade, deseja ser independente pessoal e financeiramente. Nos diferentes papéis que exerce como mãe, esposa e profissional, tem sobre si inúmeras atribuições, responsabilidades e exigências e, muitas vezes, sofre diante das cobranças que faz sobre si e sofre pelos outros pela máxima eficiência. Diante da complexidade que é ser mulher no cenário contemporâneo, observa-se de maneira recorrente, tendência ao sofrimento psíquico feminino, muitas vezes manifestado por quadros de ansiedade e depressão, em um contexto de singularidades de cada mulher.

Tais formas de manifestação de sofrimento parecem apontar para forma sintomática de mal-estar emocional, que evidenciam o sentimento de desamparo e medo, decorrentes de níveis elevados de angústia. Neste sentido, mostra-se relevante para a mulher contemporânea, a busca por autoconhecimento e autoanálise, enquanto indivíduo em seu contexto social. É igualmente importante a identificação precoce de sofrimento psíquico de maior intensidade, de modo a serem evitados prejuízos pessoais, com maiores proporções. E, a partir disso, a ajuda de profissionais especializados mostra-se relevante, visando processo de autorreflexão, auxílio no planejamento e organização das atividades profissionais e familiares, bem como identificação e tratamento de quadros de sofrimento psíquico de maior intensidade.


Yara Lúcia Sachetim Donadel
Yara Lúcia Sachetim Donadel Mestre em Psicologia Clínica, especialista em psicologia hospitalar com experiência em docência e no trabalho clínico em saúde mental.